Prece de Cáritas

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Deus na Visão Espiríta

ENTREVISTA CONCEDIDA POR GERSON SIMÕES
MONTEIRO A MARCOS LEITE, ASSESSOR DE
IMPRENSA DA RÁDIO RIO DE JANEIRO

Tema: Deus na Visão Espírita

MARCOS LEITE (ML) – Eu gostaria, inicialmente, que você falasse
para os ouvintes da Rádio Rio de Janeiro sobre Deus na Visão Espírita.

GERSON (G) – Falar da figura de Deus constitui sempre uma tarefa
muito difícil, embora agradável, tendo em vista a distância que, em todos
os aspectos, separa os homens, criaturas finitas e imperfeitas, da
incomensurável grandeza e perfeição do Criador. Por isso, escreveu com
acerto o professor Milton O'Reiily de Souza: “Deus, a idéia mais alta do
pensamento humano, é simples, como motivo de crença e adoração e se
torna complexo como motivo de conhecimento e explicação”. Assim, Deus
melhor se sente do que se entende. É como disse Léon Denis: "Há coisas
que de tão profundas só se sentem, não se descrevem".

ML – A idéia de Deus, ao que vejo, varia muito, de acordo com a
evolução espiritual de cada criatura. É isso?

G – Sim, essa circunstância foi exposta com muita beleza e
profundidade pelo professor Rubens Romanelli, da seguinte forma:
"Viviam num edifício de sete andares, moradores cujos olhos jamais
tinham contemplado a luz do sol, a não ser através das vidraças
diversamente coloridas de cada pavimento. Encerrados nos limites de seu
pequeno mundo, cada qual fazia uma idéia diferente quanto à cor da luz
solar. Os moradores do primeiro pavimento diziam que era vermelha,
porque vermelhos eram os vidros através dos quais se habituaram a vêla.
Os do segundo pavimento diziam, por sua vez, que era alaranjada,
porque alaranjados eram os vidros pelos quais ela diariamente se filtrava.
Os do terceiro diziam, pela mesma razão, que era amarela. Os do quarto
diziam que era verde. Os do quinto, azul. Os do sexto, anil e os do sétimo
diziam que a luz solar era violeta.
Certo dia, porém, um morador mais inteligente e indagador resolveu
sair do edifício, e surpreendido com a luz do sol, que lá no alto se
decompunha na policromia do arco-íris, compreendeu logo que cada
morador havia apreendido somente uma parcela da verdade. Tudo se
passava exatamente como se cada um deles, em seu próprio pavimento,
tivesse a visão limitada a uma faixa apenas, dentre as sete faixas
luminosas do espectro solar. A luz do sol era realmente da cor sob que
cada qual a tinha visto, mas era também muito mais do que isso: era a
síntese das sete cores. Assim como cada morador via o sol, assim também
cada criatura humana vê Deus. Situado em diferentes faixas de evolução,
cada um o verá sob um aspecto diferente, segundo a coloração do seu
entendimento. Chegará, no entanto, um dia em que a criatura
transcenderá os augustos limites do seu mundo e compreenderá Deus em
sua essência, na síntese de seus atributos".

ML – Quer dizer, então, que os homens sempre se abstiveram de
estudar a figura de Deus por não poderem entendê-lo?

G – Sim. Isso não impediu, absolutamente, que os grandes
pensadores de todos os tempos, os maiores filósofos e estudiosos nos
campos da cosmologia e da metafísica, tivessem dedicado sua inteligência
e seu tempo à pesquisa e ao entendimento da figura do Criador de todas
as coisas e seres do Universo, este tomado no sentido amplo. Criaram até
uma ciência para isso: a TEODICÉIA.
Dois assuntos principais foram objeto do exame desses estudiosos:
a) a existência de Deus, e b) a essência de Deus.
DEUS EXISTE? O grande filósofo da França, Descartes, baseia-se no
chamado argumento ontológico, para afirmar que sim: eu tenho idéia de
um ser, de um ente perfeito; este ente perfeito tem que existir, porque se
não existisse faltar-lhe-ia a perfeição da existência e então não seria
perfeito. É o argumento pela evidência.
Outro vulto notável do pensamento francês foi Voltaire. Seu
raciocínio é prático, ao afirmar: "O Universo me espanta e não posso
imaginar que este relógio exista e não tenha relojoeiro". Assim, diante da
realidade do Universo, é forçoso reconhecer que ele foi feito por alguém.
Se esse alguém não foi o homem, só pode ter sido Deus, mas este nos
concede sempre o benefício da dúvida, não é mesmo?
Deve-se, porém, ao famoso S. Tomaz de Aquino, autor da não
menos famosa Summa Theológica, a prova da existência de Deus mais
c onvincente, baseada nos a rgumentos metafísicos.

ML – Antes de citá-los, Gerson, você poderia dizer por que são
chamados metafísicos?

G – Metafísica quer dizer: estudo das ciências não físicas, e faz
parte da Filosofia, cujo objeto é o estudo das causas primeiras ou
primárias, das causas supremas. Dessas causas uma é a maior, Deus.
Argumentos metafísicos são assim sutis, transcendentes.

ML – Você nos dizia que Tomaz de Aquino, uma das maiores
inteligências que o Mundo já conheceu, provou a existência de Deus pelos
argumentos metafísicos. Quais são eles?

G – Tomaz de Aquino nos diz que a existência de Deus pode ser
provada por cinco vias, que são a do movimento, da causalidade, dos
seres contingentes, dos graus de perfeição dos seres e da ordem do
mundo. Esses argumentos assim se sintetizam: 1 – Se no mundo existe
movimento ou mudança, que caracteriza o vir-a-ser, deve existir um
motor primeiro que não seja movido por nenhum outro, pois se tudo fosse
movido, teríamos o efeito sem causa; 2 – Há uma causa absolutamente
primeira, transcendente às causas em geral; assim, se existem as causas
segundas, deve existir a causa primeira, porque as causas segundas são
efeitos.

ML – Lembramos aqui que os Espíritos definiram Deus como a
Causa primária de todas as coisas.

G – Exatamente. Causa primária ou primeira. Mas vamos aos outros
argumentos: 3 - Existem seres contingentes, que não possuem em si
mesmos a razão de sua existência, que são mas poderiam não ser; se
existem seres contingentes, deve existir um ser necessário; 4 - Nas
coisas existem vários graus de perfeição, referentes à beleza, à bondade,
à inteligência, à verdade; então deve haver um ser infinitamente perfeito,
porque o relativo exige o absoluto; 5 - Prova pela ordem do mundo, pela
organização complexa do Universo, pelo governo das coisas, tudo devido a
uma inteligência ordenadora, superior, absoluta, necessária.

ML – Estamos vendo que somente com sofismas e manifesta
incredulidade se poderá negar a existência de Deus. Do outro lado,
estamos vendo que o Espiritismo se estrutura em conceitos filosóficos dos
mais elevados. Com relação a Deus, que prova nos oferece o Espiritismo
quanto à sua existência?

G – Você viu, Marcos, que as provas citadas não repugnam à
inteligência mais lúcida e mais lógica e o Espiritismo nada lhes tem a opor.
Quanto à existência de Deus, se não houvesse motivos outros para
admiti-la, este seria bastante, conforme está na Questão 4 de “O Livro dos
Espíritos”: “Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?”
Resposta: "Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem
causa. Procurai a Causa de tudo que não é obra do homem e a vossa
razão responderá". E Kardec acrescenta: "O universo existe, logo tem
uma causa". Por isso, repetimos: Deus é a causa primária de todas as
coisas.

ML – Parece que Meimei tem uma página que bem ilustra esse
assunto...

G – É verdade. Há uma página simples, mas interessante, de
Meimei, na obra "Idéias e Ilustrações", psicografada por Chico Xavier,
capítulo 47, que vem a calhar. Ela conta que um velho árabe analfabeto
orava com tanto fervor e com tanto carinho cada noite, que, certa vez, o
rico chefe da grande caravana chamou-o à sua presença e lhe perguntou:
- Por que oras com tanta fé? Como sabes que Deus existe, quando
se nem ao menos sabes ler?
O crente fiel respondeu:
- Grande senhor, conheço a existência de nosso Pai Celeste pelos
sinais DELE.
- Como assim? Indagou o chefe, admirado.
O servo humilde explicou-se:
- Quando o senhor recebe uma carta de pessoa ausente, como
reconhece quem a escreveu?
- Pela letra.
- Quando o senhor recebe uma jóia, como é que se informa quanto
ao autor dela?
- Pela marca do ourives.
O empregado sorriu e acrescentou:
- Quando ouve passos de animais, ao redor da tenda, como sabe,
depois, se foi um carneiro, um cavalo ou um boi?
- Pelos rastros, respondeu o chefe, surpreendido.
Então, o velho crente convidou-o para fora da barraca e, mostrandolhe
o céu onde a Lua brilhava, cercada por multidões de estrelas,
exclamou, respeitoso:
- Senhor, aqueles sinais, lá em cima, não podem ser dos homens!
Nesse momento, o orgulhoso caravaneiro, de olhos lacrimosos,
ajoelhou-se na areia e começou a orar também.
Não há dúvida, caros ouvintes, de que só o orgulho tolo do homem
pode negar a existência de Deus. Isso, entretanto, constitui atitude
passageira, pois todos um dia o encontrarão, de vez que cada um de nós
tem D'ELE a intuição de sua existência, como está na Questão 5 de “O
Livro dos Espíritos”.

ML – Não havendo para o crente nenhuma dúvida quanto à
existência de Deus, podemos defini-lo? Podemos conhecer sua natureza?

G – Comecemos por esclarecer que definir é limitar, o que é
impossível com a figura de Deus: Infinito, Absoluto, Eterno.
Por isso já dissemos que Deus se sente, não se define, não se pode
conhecer em sua estrutura íntima. Isso não impede, entretanto, que
especulemos, no bom sentido, pois o homem é um ser eminentemente
metafísico.
Já o Livro dos Espíritos nos informa que Deus é a "inteligência
suprema, a causa primária de todas as coisas", o que nos leva a examinar
o que seja inteligência, o que seja causa. Sabemos que o espírito constitui
o princípio inteligente do Universo, mas que sua natureza íntima ainda nos
é desconhecida (Questão 23 de “O Livro dos Espíritos”).
A inteligência, atributo essencial do espírito, é, segundo Claparede, a
capacidade de resolver problemas novos por meio do pensamento, é a
capacidade de adaptação a situações novas. Outro autor nos diz que é a
faculdade pela qual a alma conhece as coisas de maneira imaterial, o que
vem a dar no mesmo. Isso quer dizer que, diante da dificuldade, o homem
pensa, reflexiona e procura resolvê-la, superá-la da melhor maneira para
ele próprio.
Entretanto, a inteligência no homem é limitada, só em Deus é
suprema, nenhuma outra se lhe pode igualar. A prova dessa inteligência
superior está na obra de Deus, o Universo infinito (Questão 9 de “O Livro
dos Espíritos”).
A noção de causa também é importante para conceituar o Criador,
na medida em que isso é possível. Causa é um conceito filosófico
importante e se define com tudo quanto concorre para que uma coisa
exista. Como a existência de todas as coisas e seres se deve a Deus, dizse
que Ele é a causa primária, principal, eficiente, de que dependem todas
as outras causas.

ML – Pelo que estamos vendo, têm razão aqueles que afirmam ser o
espiritismo uma doutrina profunda, embora seja também muito clara e
convincente. Assim, satisfaz tanto ao homem simples como ao
intelectualizado. Não é mesmo?

G – Estamos de pleno acordo com você. Mas continuemos.
Da natureza de Deus sabemos apenas que é espiritual. Para melhor
entendê-lo, porém, costumamos adjetivá-lo, pois o adjetivo, limitando-o,
torna-o mais acessível à nossa compreensão limitada. Por isso citamos os
chamados atributos de Deus, como está na Questão 13 de “O Livro dos
Espíritos”: "Deus é eterno, não teve princípio, nem terá fim, por isso é
chamado o INCRIADO; é infinito, isto é, nada o limita; é imutável, pois
não está sujeito a mudanças de qualquer espécie; é imaterial, portanto é
puro Espírito; é único, pois se houvesse mais de um, teríamos deuses, não
Deus; é onipotente, porquanto nada lhe é impossível; único e soberano,
nada se lhe opõe; é soberanamente justo e bom, pois a todos concede
suas graças, sem parcialidade e com amor.
Poderíamos acrescentar a esses os chamados atributos entitativos
ou metafísicos, assim enunciados pelos filósofos: simplicidade, infinitude,
unicidade, imensidade, eternidade. Como disse o filósofo Garcia Morente,
não podemos saber o que é Deus, sua essência ou natureza, apenas quem
é Deus, ou seja, atestar sua existência. Nós, espíritas, reconhecemos
nossa inferioridade moral e procuramos sentir DEUS, como Criador e
Senhor dos nossos destinos, o Pai amantíssimo que nos destina um futuro
glorioso, que estamos longe de poder prover, apenas imaginamos.

ML – Como disse Emmanuel no livro "Fonte Viva":
"Não perguntes se Deus é um foco gerador de mundos ou se é uma
força irradiando vidas. Não possuímos ainda a inteligência suscetível de
refletir-lhe a grandeza, mas trazemos o coração capaz de sentir-lhe o
amor. Procuremos, assim, Nosso Pai acima de tudo e Deus, Nosso Pai, nos
escutará”.
Sabemos que Deus é distinto de sua Criação, como está esclarecido
na Q. 77 de “O Livro dos Espíritos”. Por esse motivo o Espiritismo repele o
panteísmo. Por outro lado, imanência e transcendência são noções
inseparáveis, segundo o exige a própria razão. Gerson, você pode nos
explicar melhor esse aspecto da apreciação que estamos fazendo, com o
devido respeito à figura divina?

G – Para começar, dizemos que o Espiritismo é dualista, de vez que
admite a separação, em essência, substancial de Deus, o Criador, de sua
criação. Imanência de Deus significa sua presença espiritual em tudo,
como causa final e universal, de vez que Ele é o Criador de todas as coisas
e seres. Por isso disse o apóstolo Paulo: "em Deus temos a Vida, o
movimento, o Ser". Entretanto, a imanência de Deus não impede sua
absoluta independência em relação ao Universo, que Ele criou, e é isso
que denominamos de transcendência.
Assim, imanência e transcendência se completam na natureza
divina, pois sem a primeira, Deus se faria estranho ao Universo e não
seria, por isso, infinito nem perfeito. Sem a transcendência, Deus seria
idêntico ao Universo e também imperfeito, como o próprio Universo em
evolução.
Assim, em resumo: Deus, por suas leis, eternas como Ele, está
presente na Criação, por efeito de sua imanência, sem se confundir com o
Universo criado por Ele (Questão 77 de “O Livro dos Espíritos”), isto
porque as leis de Deus permitem a ligação de todas as coisas ao Seu
poder e à Sua perfeição; entretanto, por Sua transcendência, Deus
continua distante do Universo, independente de tudo quanto cria.

ML – Como você já fez em relação ao entendimento da figura divina
e de sua existência, poderia ilustrar com uma historieta a questão da
presença de Deus em todas as coisas? Assim, o assunto ficará bem mais
interessante, não é mesmo?

G – Sem dúvida, Marcos. Há o episódio de um sábio hindu que,
inspirado, dizia ao discípulo:
- Meu filho, em tudo podemos notar a existência, a presença de
Deus, sustentando-nos a felicidade e a segurança. Na beleza da flor, no
verde da mata, no azul do céu, na majestade do oceano, no animal que
passa, no brilho das estrelas, no sorriso da criança... Em toda a Criação,
há sinais da Sublime Presença, convidando-nos à confiança e oferecendonos
conforto e alegria.
Impressionado com tais raciocínios, o discípulo deixou a casa do
mestre, e, retornando ao lar, divagava:
“Sim, Deus está presente em tudo: nesta flor que desabrocha
deslumbrante, naquela cascata que canta a sublimidade da Criação, no Sol
que ilumina o Mundo...”.
Despertando do seu deslumbramento íntimo, avistou um elefante
furioso que corria pela estrada em sua direção. Montado no animal, um
homem advertia, desesperado, aos gritos:
- Sai da frente! Sai da frente!
“Ah!” - suspirou, tranqüilo, o crente. “Deus está em tudo. Nada há a
temer, porquanto a Majestade Divina está presente também naquele
elefante furioso que se aproxima. O nobre animal também faz parte da
Criação...”.
Mal teve tempo de formular semelhante raciocínio, foi violentamente
colhido pelo paquiderme, que o atropelou como um trem expresso,
jogando-o à distância.
Com contusões generalizadas, sentindo mil dores, foi socorrido por
seu mestre, que ouvira o barulho. Medicado, ainda gemendo de dor, o
discípulo comentou queixoso:
- Mestre, o senhor disse que Deus está em todas as manifestações
da Natureza, até nos animais. Veja como fiquei por confiar em que o
Senhor Supremo estava naquele elefante furioso!...
O sábio sorriu e respondeu:
- Meu filho, realmente Deus está presente em tudo. Até mesmo
naquele elefante furioso. Entretanto, você se esqueceu de que o Todo
Poderoso estava presente também naquele homem que gritava a plenos
pulmões: "Sai da frente! Sai da frente!...".

ML - Uma historia bem sugestiva essa, que você nos transmitiu.
Deus, de fato, está presente em tudo. Gostaríamos que você, agora, nos
dissesse alguma coisa a respeito de outro problema intimamente ligado a
Deus, ou seja, a compreensão que devemos ter da existência do Bem e do
Mal. Eu pergunto: existe o mal? Deus é o seu autor? Se não é, porque
permite a existência do mal?

G – Nós, espíritas, sabemos que Deus é puro amor e jamais nos
criaria para o sofrimento. Deus, portanto, não é o autor do mal, fruto
apenas de nossa imperfeição. Começamos por dar alguns conceitos
emitidos por estudiosos desse assunto, que tanto tem preocupado
filósofos e religiosos em todos os tempos:
“O Bem é essência do Criador, o mal, essência da criatura” – S.
Paulo.
“O Mal é a medida da inferioridade dos mundos e dos seres” –
Gustave Geley.
“O que é o Mal? É Deus que adormece na consciência humana” –
Victor Hugo.
“Fundamentalmente considerada, a dor é uma lei de equilíbrio e
educação” – Leon Denis.
“O Mal é a ausência do Bem” – Allan Kardec.
Ainda é de Léon Denis esta definição, que consideramos muito boa:
"O Mal é o Menos evoluído para o Mais, o Inferior para o Superior, a Alma
para Deus".
Emmanuel afirma, em “O Consolador”, pergunta 135, que
"o mal
essencialmente considerado, não pode existir para Deus, em virtude de
representar um desvio do homem, sendo zero na sabedoria e na
previdência Divina".

ML – São conceitos muito interessantes esses que você citou, do
mal. Entretanto, gostaríamos de conhecer alguma explicação que fosse
aceitável a respeito da existência do mal e sua utilidade.

G – Vejamos a opinião, por exemplo, do prof. Carlos Toledo Rizzini,
em seu ótimo livro "Evolução para o Terceiro Milênio": "Para progredir foi
permitido ao Espírito humano violar a Lei, promover a desordem ao redor
de seus próprios passos, de modo a conhecer as conseqüências do erro e
afastar-se dele. Deus dispôs, portanto, que durante certo tempo lhe fosse
possível abusar e errar para aprender, pagando o preço do sofrimento. É a
dor o fator que traz o homem de volta ao regaço divino, depois que se
desviou do rumo traçado pela Lei".
D. Ludegero Jaspers, em seu Manual de Filosofia, afirma que "Deus
recusaria ao homem a liberdade, nobre prerrogativa, se não lhe desse
possibilidade de agir e, portanto, de errar. Por isso Ele dá mérito ao
homem que resiste ao mal".
Outro professor de Filosofia, R. Jolivet, em seu livro “Cursos de
Filosofia”, assim se exprime: "O mal resulta da criatura finita, que peca
criando-o, embora ele não seja absolutamente necessário: o homem tem
livre-arbítrio, que Deus respeita, garantindo sua liberdade. Ele peca
voluntariamente. Essa liberdade, mesmo falível, é um bem: o poder
determinar-se, ser o fruto de seus erros e acertos. A criatura assume,
sozinha, a responsabilidade do mal. Assim, o mal serve ao bem, é útil.
Seria absurdo se existisse sem nenhuma utilidade. É meio de reparação,
fonte de mérito: o homem corrige-se e segue o bem. Que é o bem? É o
que nos faz realizar a perfeição de nossa natureza. Esse fim último está na
conquista da felicidade".
Como vemos, esses conceitos se enquadram nos da filosofia espírita,
segundo a qual o Espírito, criado simples e ignorante, é dotado de
liberdade ou livre-arbítrio, que lhe permite escolher, optar entre o que é
certo, segundo a Lei de Deus, e o que a contraria, ou seja, o mal. Pelo
resgate das culpas, através do arrependimento, da expiação e da
reparação, o Espírito se redime e alcança a felicidade.

ML - Sabemos que o mal pode ser físico, moral e metafísico.
Gerson, o que você pode nos dizer do mal físico? Como conceituá-lo na
problemática espírita?

G – O mal físico consiste na dor fisiológica e tem função de
regeneração e reparação. André Luiz nos esclarece, em sua obra "Ação e
Reação", Capítulo XIX, que há três formas de dor, dor essa a respeito da
qual afirmou Vítor Hugo: "Dor! Chave dos Céus!":
 DOR-EVOLUÇÃO – mola do progresso, atuando de fora para dentro,
aprimorando o ser, por isso atinge os próprios animais irracionais;
 DOR-EXPIAÇÃO – que vem de dentro para fora, marcando a criatura
no caminho dos séculos, detendo-a em complicados labirintos da
aflição, por regenerá-la perante a Justiça. Regenera o Espírito,
provocando-lhe o arrependimento, sujeitando-a a expiação e o
levando à reparação das faltas;
 DOR-AUXÍLIO – que evita o mal maior, a queda no crime ou
concorre, freqüentemente, "para o serviço preparatório da
desencarnação, a fim de que não sejamos colhidos por surpresas
arrasadoras, na transição da morte". Sobre esta modalidade de dor,
temos uma sugestiva página de Humberto de Campos, intitulada "A
Moléstia Salvadora", componente do livro “Reportagens do Além
Túmulo”. É o caso de um espírita, casado, com filhos, que se vê
enredado por moça leviana, que o induz a abandonar o lar, para
viver com ela. Embora assistido por um Espírito amigo, o confrade
está prestes a fazer a vontade da moça, sentindo-se fraquejar. É
então que outro espírito, mais sábio e experiente, aconselha o
protetor do moço a provocar nele uma doença séria, que o joga
numa cama de hospital. A moça, quando o vê prostrado, mal
dissimula o desapontamento e some para sempre...

ML – Na verdade, de quantos tombos nos livra a Espiritualidade,
com seus recursos maravilhosos, não é mesmo? E o Mal Moral, existe?

G – Tanto o mal físico como o moral são obras do procedimento dos
homens, começam e terminam entre eles. Deus não cria o mal.
Com referência ao MAL MORAL, diremos que consiste na violação do
dever, dos princípios éticos, das leis divinas, estando ligado ao nosso
direito de liberdade e vontade, expressa através do livre-arbítrio, levando
um grande filósofo, Leibniz, a afirmar que "o mal moral, no homem, é
consequência de um grande bem - o livre-arbítrio; é condição para o
mérito". Ele argumenta que “o mal metafísico é o limite puro e simples,
que resulta da ausência de perfeição não exigida pela Natureza: a planta
não vê, o homem não voa. O mal metafísico é apenas um limite e Deus só
poderia evitá-lo deixando de criar. A criatura é limitada necessariamente e
mais vale existir assim a não existir”.
Luciano dos Anjos, no seu livro “DEUS É O ABSURDO”, afirma: "O
mal metafísico não existe; não tem realidade, nem objetivo e nem
abstração; ele não pode ser dentro da criação perfeitíssima de Deus. É
preciso demonstrar pelo raciocínio a sua necessidade de NÃO SER".

ML – Na verdade, ficamos confusos com o problema, procurando
solução para ele em nossa inteligência finita. É claro que há uma
explicação aceitável, mas não atinamos com ela, não é mesmo?

G – É claro que sim, pois não podemos duvidar da perfeição do
Criador. O assunto, entretanto, estará no rol daqueles que não nos é dado
conhecer ainda, como está nas Questões 10 e 17 de “O Livro dos
Espíritos”.
Isso não impede, porém, que nosso pensamento procure o porquê
das coisas, na ânsia de aumentar, sempre e sempre, o nosso
conhecimento. O filósofo Battista Mondim, em seu livro "Introdução à
Filosofia", afirma: "O termo criação quer evidenciar a inexistência total do
Mundo antes de sua produção por parte do Ser subsistente. Por meio do
ato criador, o Ser subsistente comunica seu ser ao Mundo. Trata-se,
porém, é óbvio, de uma comunicação limitada. O Ser subsistente não cria
um outro ser subsistente, mas um ser contingente. Por esse motivo o
Mundo não iguala a perfeição de Deus e muito menos se identifica com
sua realidade. O mundo simplesmente participa da perfeição do Ser
subsistente, ou seja, possui, de modo particular, limitado, imperfeito,
aquela perfeição que no ser subsistente se realiza do modo total, ilimitado
e perfeito. Há, entretanto, uma tensão permanente no Mundo para voltar
à sua fonte primitiva, ao Ser subsistente. Isso explica o profundo
dinamismo que o permeia, a transformação constante e a evolução
maravilhosa que o anima: o Mundo está a caminho, na direção de Deus".

ML – Muitos assuntos de grande interesse para a melhor
compreensão da figura de Deus, Nosso Pai e Criador, foram comentados
nesta entrevista. Agora perguntamos a você: de que recursos dispõe,
então, o homem e, em particular, o espírita, para progredir moral e
intelectualmente, até que se possa defrontar com o Criador, tornando-se,
como Jesus, "um com o Pai", como está no Evangelho de João?

G – Marcos, dispomos, todos nós, graças ao Espiritismo, do
conhecimento explicitado da Lei de Deus, desdobrada em 10 partes.
"Para abranger todas as circunstâncias da vida, o que é essencial",
como diz a Questão 648 do Livro dos Espíritos. A observância dessas leis é
o caminho certo, seguro e único para essa finalidade.
Podemos dizer que Deus é a Lei e que essa Lei está escrita não em
livros perecíveis, mas em nossas consciências; entretanto, por acréscimo
de misericórdia, ela é revelada aos homens periodicamente. A última vez
que isso se deu foi com o advento do Espiritismo, que o ínclito Missionário
Allan Kardec codificou para todos nós.
Lembramos que a primeira dessas leis – a de Adoração – resume
exatamente o mandamento maior de Jesus, que nos mandou amar a Deus
sobre todas as coisas, de todo nosso espírito. Essa lei nos mostra como
ter acesso, embora indireto, ao Pai Celestial, através da prece, do culto
interno, quando, ajoelhados, lhe entregamos nossos corações, sem
vaidades, sem orgulho, sem egoísmos, sem mágoas e nem
ressentimentos.

ML – Vamos terminando esta entrevista, mas antes pediríamos ao
nosso Gerson que nos oferecesse, como fecho de ouro, uma produção
poética sobre Deus.

G - Você veio ao encontro de nosso desejo e aqui está uma bela
poesia de Maria Dolores, intitulada Deus é Caridade, obra prima da nossa
irmã, que ela oferece como lembrança aos companheiros da Doutrina
Espírita e está publicada em Antologia da Espiritualidade, edição FEB:
DEUS É CARIDADE
Não guardes e nem fales, coração,
Palavras de azedume ou desesperação.
O verbo que escarnece, esfogueia, envenena,
Traz em si mesmo a dolorosa pena
De amarga frustração!
Muitas vezes, nós mesmos, trilha afora
No pensamento que se desarvora,
Nas teias da ilusão sem motivo ou sem base,
Para sair do mal e regressar ao bem
Precisamos apenas de uma frase
Do carinho de alguém!
Na dor que nos renova,
Quantas vezes na vida a gente espera
Simplesmente um sorriso,
Para fazer o esforço que é preciso,
A fim de não perder nas lágrimas da prova
A paz da fé sincera!...
Pensa nisso e abençoa
Aquela própria mão que te espanca ou aguilhoa
Fel, tristeza, amargura,
Transformam desventura em maior desventura!
Se a mágoa te domina,
Observa a lição da Bondade Divina!
Se o homem tala o campo nos horrores da guerra,
Deus recama de verde as úlceras da Terra.
Cerre-se a noite fria,
Deus recompõe sem falta os fulgores do dia.
Atire-se um calhau à frente na espessura,
Deus protege a corrente
E a fonte lava a pedra a beijos de água pura
E prossegue indulgente.
Doce, clara, bendita,
Fertilizando o campo em que transita.
Isola-se a semente pequenina
Na clausura do chão
E eis que Deus a ilumina
E ela faz a alegria e a fartura do pão!
Que a poda fira a planta a golpes destruidores
E Deus reveste o tronco em auréolas de flores!...
Conquanto seja em tudo a Justiça Perfeita
Que nos premia, ampara, aprimora e indireita
Pelo poder do amor incontroverso,
Deus quer que a Lei do amor seja cumprida
Para a glória da vida,
Nas mais remotas plagas do Universo!
Serve, pois, coração,
À tolerância, à paz, à bondade e à União;
Embora desprezado, anônimo, sozinho,
Agradece em silêncio, a injúria, o pranto, o espinho
E serve alegremente...
Dor é nova ascensão à Vida Superior!...
Rende-te a Deus e segue para a frente,
Pois Deus é Caridade e a Caridade ardente
Tudo cobre de amor!...

sábado, 23 de maio de 2009

Confrontividade (L. Ron Hubbard)

Primeiro vou esclarecer o termo confrontividade: *É a capacidade de confrontar. E confrontar é: *Uma ação de ser capaz de enfrentar *Enfrentar sem titubear ou evitar.
Vamos lá então:...
"A confrontividade é consciência. Uma pessoa pode estar consciente - Esta é a resposta à pergunta crucial - uma pessoa só pode estar consciente daquilo que está disposta a confrontar de alguma forma.
É necessário alguma vontade de confrontar para o fenômeno conhecido como consciência....Se uma pessoa está disposta - mesmo em algum pequeno grau - a confrontar algo, ela pode ficar consciente disso; mas se ela não pode confrontá-lo e não quer confrontá-lo e tem uma idéia de que não deve confrontá-lo, algum tempo depois isso desaparece completamente da sua vista e ela já não é capaz de estar consciente disso.
E nisso estão contidos o QI, a capacidade, o talento e todos os outros fatores similares.,,,E esse é o segredo por trás da menina que se senta ao piano e começa a tocar facilmente e de imediato, e do menino que se senta e passados cinco anos não consegue tocar. Qual é a diferença?
O menino não estava disposto a confrontar a música, e a menina estava perfeitamente disposta a fazê-lo. Essa é a diferença. Essa é a única diferença que há; não há mais nenhuma diferença. Lamento que isto se reduza a uma simplicidade desta natureza. Compreendo que isto vos rouba um jogo. Compreendo que isto, definitivamente, estraga por completo muitos pretextos. É muito interessante ver até que ponto os pretextos são úteis na vida. Eles formam parte da vida - são muito práticos.
Por ex., de vez em quando deparámo-nos com os nossos pais a dizerem: Não tenho dinheiro para comprar isto e não tenho dinheiropara comprar aquilo, e não posso te dar isto e não posso te dar aquilo. Quando éramos crianças, o velhote dizia: Bom, simplesmente não tenho dinheiro pra isso. Você está me custando uma fortuna, e aí vai. Anda sempre atrás de mim pedindo dinheiro, algo do gênero.
É claro que a resposta óbvia que me ocorreu para isso, mas que veio alguns anos tarde demais foi: O que é que se passa contigo que não vai lá para fora e faz mais dinheiro?A coisa mais óbvia para dizer a um pai: O que é que se passa contigo que só está ganhando essa pequena quantidade de dinheiro? É uma declaração completamente esmagadora, não acham? Sim, o que é que se passa com ele? É necessário mais dinheiro na família, porque é que ele não está fazendo mais dinheiro? Simples, direto - e é tudo!
Isso realmente deixaria estes fulanos muito supreendidos. Bom, talvez não estejam fazendo dinheiro, porque não estão dispostos a confrontá-lo. Não estão muito conscientes disso. Talvez façam tanto dinheiro como aquele que estão conscientes ou de que possam estar conscientes ou do qual estão dispostos a estar conscientes.
Eles concebem que há algo terrível em terem que estar conscientes de um milhão de dólares. Exite algo de muito repreensível acerca de estarem conscientes de tanto dinheiro. Falando especificamente do dinheiro, este foi usado de diversas formas durante toda a existência, Ron nos diz que: ... "o dinheiro é algo que pode inverter a lealdade, o dinheiro é algo que corrói o espírito"...E assim vai.
O dinheiro pode ter sido usado de tantas maneiras equivocadas, que nos afastamos do bom uso e acabamos ficando insconcientes dele, de sua utilização e etc.
Ex: a pessoa que recebe uma quantia para colocar veneno na comida de alguém; aquele que recebe para matar...Aquela moedinha que roubamos da bolsa da mãe ou da carteira do pai...e assim vai.
Assim acontece também com as atividades de nossas vidas. Perdemos a consciência das coisas pelas quais não estamos dispostos a confrontar (fazer face). Porquê? Talvez eu tenha cometido atos anti-sobrevivência nessa direção.
"Dianética- L. Ron Hubbard (Trexo extraido: Anti-Radiação e Confronto)

sábado, 16 de maio de 2009

Pensadores V - Pitágoras









Quando Pitágoras decidiu buscar no Egito o conhecimento pelo qual clamava seu espírito, reinava em Samos o tirano Policrátes que tinha como amigo no Egito o Faraó Amásis.

Pitágoras procurou por Policrátes e este se apressou a dar-lhe uma carta de recomendações ao Faraó para que Pitágoras fosse iniciado pelos sacerdotes.

Os sábios egípcios fizeram de tudo para amedrontar Pitágoras, pois desconfiavam dos gregos que tachavam de levianos e inconstantes.

Pitágoras, entretanto submeteu-se e suportou a lentidão e às provas porque o fizeram passar, com uma paciência e uma coragem inquebrantáveis durante 22 anos, sob a direção do pontífice Sonquis. Não fugia a nada por pior que fosse, que o pudesse conduzir ao conhecimento, e o temor da morte não o esfriava porque cria na vida Além-Morte.

Logo que os sacerdotes lhe reconheceram essa força extraordinária da alma e essa paixão impessoal da ciência que é a coisa mais rara do mundo, apressaram-se a abrir-lhe os tesouros da sua experiência. Foi entre eles que se formou e retemperou. Foi entre eles e dos princípios universais, de que fez o centro de seu sistema; e que formulou por uma forma nova.

Pitágoras havia atingido as cumeadas do sacerdócio, e, ambicionava, porventura, regressar a Grécia quando a guerra, promovida pelo persa Cambises, se precipitou sobre a bacia do Nilo com todas as suas calamidades, envolvendo o iniciado de Osíris em um novo turbilhão.

Pitágoras viu, pois, o Egito invadido pelo déspota Cambises, digno herdeiro dos celerados coroados de Nínive e de Babilônia. Viu Cambises por a saque os templos de Mênfis e de Tebas e destruir o de Amon.
Viu o faraó Psametico conduzido a ferros à presença do déspota e a filha do faraó vestida em andrajos e também o príncipe real e dois mil moços com freios na boca e cabrestos no pescoço, antes de serem decapitados; enquanto o infame Cambises assentado sobre seu trono, se regozijava com a dor de seu adversário aniquilado.

Cambises fez transportar Pitágoras a Babilônia, com uma parte do sacerdócio egípcio, e internou-o ali. Após 12 anos de internato, um seu compatriota, Democedes, médico do rei dos persas intercedeu a seu favor e obteve a liberdade para Pitágoras.

Retornou, pois, a Samos após 34 anos de ausência. A sua pátria estava então esmagada sob o domínio persa. Haviam-se fechado as escolas e os templos; os poetas e os sábios tinham fugido como uma nuvem de andorinhas perseguidas pelo cesarismo persa.
Pitágoras logrou pelo menos no regresso a consolação de receber o último suspiro de seu primeiro mestre, Hermódamas, e de encontrar viva sua mãe Pártenis, a única que não duvidara nunca de seu regresso, pois cria nas predições do Oráculo de Apolo.

Oprimida e perdida a sua terra de Samos, ele e sua mãe fugiam com todos os seus haveres. Corriam para a Grécia.
Não eram as coroas olímpicas, nem os lauréis do poeta, que seduziam o filho de Pártenis. A sua obra era mais misteriosa e maior: despertar a alma adormecida dos deuses nos santuários, dar a sua força e o seu prestígio ao templo de Apolo; e depois fundar uma escola de ciência e de vida, donde sairiam não políticos e sofistas, mas sim homens e mulheres iniciados, verdadeiras mães e puros heróis!

Pitágoras fundou sua escola em Crotona e adquiriu tanta força e poder que os pitagóricos tornaram-se objeto de rancor originado pela inveja dos que não conseguiam ali ser admitidos.
Havia um homem chamado Cilo que outrora tinha sido candidato à Escola. Pitágoras, muito severo na admissão dos discípulos, expulsara-o por causa do seu feitio violento e imperioso.
Ora, esse pretendente preterido tornara-se um adversário rancoroso e organizou um clube oposto aos pitagóricos e conseguiu atrair para si os principais condutores do povo e preparou nas suas assembléias uma revolução que deveria começar com a expulsão dos pitagóricos. Distorceu o que julgava ser a formação pitagóriga e organizou bandos com a finalidade de destruir o mestre e seus discípulos.

Uma tarde, em que os 40 membros principais da ordem Pitagóriga, incluindo o Mestre, estavam reunidos na habitação de Milo, Cilo e seus bandos cercaram a casa e lançaram-lhe fogo.

Trinta e oito pitagórigos, os primeiros discípulos do mestre, a flor da ordem, e o próprio Pitágoras sucumbiram, uns nas chamas do incêndio, outros às mãos do bando de Cilo.

Pitágoras foi um adepto, um iniciado de primeira ordem. Possuía a visão direta do espírito, a chave das ciências ocultas e do mundo espiritual. Ele bebia, pois, na fonte originária da Verdade.

Platão, que pediu a Pitágoras toda a sua metafísica, teve dela uma idéia completa, ainda que a revelasse por uma maneira menos vigorosa e menos nítida. Desses ensinamentos a Escola de Alexandrina ocupou os andares superiores; a ciência moderna tomou o rés do chão e consolidou-lhe os fundamentos; e um grande número de escolas filosóficas, de seitas místicas ou religiosas, lhe têm tomado como base. Nenhuma filosofia, porém, abrangeu ainda o seu todo.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Nossa Senhora de Fátima e os Três Pastorinhos











Em 1917, Nossa Senhora apareceu em Fátima - Portugal para três pastorinhos - Lúcia, Francisco e Jacinta. A Virgem fez revelações que mais tarde ficaram conhecidas como o "Segredo de Fátima".

A 1ª e 2ª parte do Segredo foram escritas por Lúcia no ano de 1941 e conhecidas logo a seguir.
A 3ª parte do Segredo foi escrita em 1944 numa correspondência privada para ser aberta somente pelo Papa.No dia 26 de Junho de 2000, a 3ª parte do Segredo foi finalmente publicada na íntegra pelo Vaticano.

1ª e 2ª parte do Segredo de Fátima, na íntegra.

Transcrição na íntegra das palavras de Lúcia de Jesus que contêm a revelação da primeira e segunda partes do segredo de Fátima: "(...) o segredo consta de três coisas distintas, duas das quais vou revelar.
A primeira foi pois a vista do inferno! Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo que parecia estar debaixo da terra.

Mergulhados nesse fogo os demônios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras , ou bronzeadas com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saiam, juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas em os grandes incêndios sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor.

Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e acrosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes e negros. Esta vista foi um momento, e graças à nossa boa Mãe do Céu; que antes nos tinha prevenido com a promessa de nos levar para o Céu (na primeira aparição) se assim não fosse, creio que teríamos morrido de susto e pavor.

Em seguida, levantamos os olhos para Nossa Senhora que nos disse com bondade e tristeza: Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores, para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção a meu Imaculado Coração.

Se fizerem o que eu disser salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar, mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite, alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai a punir o mundo dos seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre.

Para a impedir virei pedir a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz, se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja, os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas, por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz".

3ª parte do Segredo de Fátima, na íntegra.

O conteúdo da terceira parte do Segredo de Fátima, revelado em 13 de Julho de 1917, em Fátima, em que a Ir. Lúcia dos Santos, a única das três videntes ainda viva, redigiu em 03 de Janeiro de 1944, é o seguinte:

"Escrevo, diz Ir. Lúcia, em ato de obediência a Vós meu Deus, que me mandais por meio de Sua Excelência Reverendíssima o Sr. Bispo de Leuria, e da Vossa e minha Santíssima Mãe. Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora, um pouco mais alto, um anjo com uma espada de fogo na mão esquerda.

Ao cintilar despedia chamas que pareciam incendiar o mundo. Mas, apagavam-se com o contato do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro. O anjo, apontando com a mão direita para a terra, com voz forte dizia: - Penitência, penitência, penitência.

E vimos numa luz imensa, que é Deus, algo semelhante a como se vêem as pessoas no espelho, quando lhe diante passa um bispo vestido de branco. Tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre. Vimos vários outros bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande cruz, de tronco tosco, como se fora de sobreiro como a casca.

O Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade, meia em ruínas e meio trêmulo, com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena. Ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho.

Chegando ao cimo do monte, prostrado, de joelhos, aos pés da cruz, foi morto por um grupo de soldados que lhe disparavam vários tiros e setas e assim mesmo foram morrendo uns após os outros, os bispos, os sacerdotes, religiosos, religiosas e várias pessoas seculares.

Cavalheiros e senhoras de várias classes e posições. Sob os dois braços da cruz, estavam dois anjos. Cada um com um regador de cristal nas mãos recolhendo neles o sangue dos mártires e com eles irrigando as almas que se aproximavam de Deus.

Este portanto, o conteúdo escrito por Ir. Lúcia, no ano de 1944, do Terceiro Segredo de Fátima].

sábado, 9 de maio de 2009

Oração da Mãe










Deus de Infinita Bondade!
Pusestes astros no céu e colocastes flores na haste agressiva...

A mim destes os filhos e, com os filhos, me destes o amor diferente, que me rasga as entranhas, como se eu fosse roseira espinhosa, que mandásseis carregar uma estrela...

Aceitastes minha fragilidade a Vosso serviço, determinando que eu sustente com a maternidade o mandato da vida; entretanto, não me deixeis transportar, sozinha, um tesouro assim tão grande!

Dai-me forças, para que Vos compreenda os desígnios; guiai-me o entendimento, para que a minha dedicação não se faça egoísmo; guardai-me Vossos braços eternos, para que o meu sentimento não se transforme em cegueira.

Ensinai-me a abraçar os filhos de outras mães, com o carinho que me insuflais no trato daqueles de que enriquecestes minha alma!

Fazei-me reconhecer que os rebentos de minha ternura são depósitos de Vossa bondade, consciências livres, que devo encaminhar para a Vossa vontade e não para os meus caprichos.
Inspirai-me humildade, para que não se tresmalhem no orgulho por minha causa.
Concedei-me a honra do trabalho constante, a fim de que não venha a precipitá-los na indolência.
Auxiliai-me a querê-los sem paixão e a servi-los sem apego.

Esclarecei-me para que ame a todos eles com devotamento igual, no entanto, Senhor, permiti-me inclinar o coração em Vosso nome, por sentinela de Vossa benção, junto daqueles que se mostrarem menos felizes!...

Que eu veja contente e grata, se me puderem oferecer mínima parcela de ventura, e que me sinta igualmente reconhecida se, para afagá-los, for impelida a seguir, nos caminhos do tempo, sobre longos calvários de aflição!...

E, no dia em que me caiba entregá-los aos compromissos que lhes reservastes, ou a restituí-los às Vossas mãos, dá que, ainda mesmo por entre lágrimas, possa eu dizer-Vos, em oração, com a obediência da excelsa mãe de Jesus: "Senhor, eis a tua serva! Cumpra-se em mim, segundo a Vossa palavra!..."

Meimei
CHICO XAVIER, Francisco Cândido. Á Luz da Oração.

sábado, 25 de abril de 2009

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Lidando com o Trabalho



Alguns dizem que passamos um terço de nossa vida na cama e, por conseguinte, as camas são importantes.
Mas passamos mais de um terço de nossas vidas trabalhando.
E se não trabalhamos não temos cama.
O trabalho desempenha o papel mais importante das nossas vidas, quer gostemos dele, quer não.
Se não gostamos do trabalho não gostamos da vida.

- A vida é sete décimos de trabalho, um décimo família, um décimo política e um décimo de descanso.

- Retire o rendimento ou emprego de um homem e, normalmente, vai encontrá-lo numa péssima condição mental.

- Os homens que detestam algum trabalho, detestam porque não vêem onde este vai levar ou não acreditam que estejam fazendo alguma coisa de importante. Eles estão “trabalhando”.

Isto é, eles apresentam-se no emprego e executam certos movimentos e recebem um salário. Mas não fazem verdadeiramente parte da ordem das coisas. Eles sentem que não têm nada a ganhar.

Na nossa civilização, o dado estável para a confusão da existência é o trabalho. E o dado estável no trabalho é o propósito. Mesmo que o propósito seja apenas receber o cheque do ordenado, isso ainda é um propósito.

“Se alguém tivesse que permanecer no meio de toda esta vivência, de toda esta criatividade, de todas estas guerras, sem ter qualquer propósito, a totalidade da sua existência seria fatal. Fazer parte de um universo, de uma civilização e, no entanto, não ter propósito, é o caminho da loucura”.

-As pessoas que não tem nada para fazer, as pessoas que não têm um propósito são as que mais facilmente se tornam neuróticas ou loucas.

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L. RON HUBBARD – Associação Brasileira de Dianética

domingo, 5 de abril de 2009

Pensadores IV - Pitágoras

Pitágoras era filho de um rico negociante de Samos e de uma mulher chamada Pártenis. A pítia (sacerdotisa de Apolo que pronunciava oráculos no templo de Delfos), consultada em uma viagem pelos jovens esposos, prometera-lhes:

“Um filho que seria útil a todos os homens e em todos os tempos.”

E o oráculo havia-os depois mandado a Sidon, na Fenícia, a fim de que o filho predestinado fosse concebido, moldado e parido longe das influências conturbadoras da sua pátria.

Antes mesmo de seu nascimento, o infante maravilhoso foi votado com fervor pelos pais à luz de Apolo, pela lua do amor.

O menino nasceu; e quando tinha um ano de idade, a mãe, seguindo o conselho dos sacerdotes de Delfos, conduziu-o ao templo de Adonai, em um vale do Líbano. Ali o abençoou o patriarca, feito o que a família regressou a Samos.

O filho de Pártenis era muito belo, brando de gênio, moderado e cheio de justiça. Só a paixão intelectual brilhava nos seus olhos e dava às suas ações uma energia secreta.

Aos dezoito anos já tinha seguido as lições de Hermódamas de Samos; aos vinte, as de Federices em Siros e havia até tratado com Tales e Anaximandro, em Mileto.

Todos esses mestres lhe tinham revelado horizontes novos, mas nenhum o satisfazia. O que ele procurava incessantemente, no labirinto dos ensinos contraditórios, era o laço, a síntese, a unidade do grande TODO.

No entrementes o filho de Pártenis chegara a uma dessas crises em que o espírito sobreexcitado pela contradição das coisas, concentra todas as suas faculdades em um esforço supremo para entrever o princípio, para encontrar o caminho que conduz ao sol da Verdade, ao centro da vida.

Os sacerdotes de Juno haviam-lhe dito: “Antes da terra já existia o céu dos deuses, donde veio a tua alma. Adora-os para que ela lá regresse.”

Mas no fundo do seu ser, o futuro adepto ouvia uma voz invencível que respondia às cadeias da terra e aos esplendores do céu por este grito: LIBERDADE! Quem era, pois, que tinha razão: os sábios, os sacerdotes, os loucos, os desgraçados ou ele próprio?

Em uma visão grandiosa, Pitágoras viu os mundos moverem-se segundo o ritmo, a harmonia dos números sagrados. Adivinhou as esferas do mundo invisível envolvendo o visível, animando-o incessantemente. Viu tudo isto, e viu a sua vida e a sua obra, em uma visão instantânea e iluminada, com a certeza irrefutável do espírito que se encontra face a face com a VERDADE. Foi um relâmpago.

Entretanto, precisaria provar pela Razão o que a sua pura inteligência edificara no Absoluto; e, para isso, era necessário uma vida de homem, um trabalho de Hércules.

Adivinhou, então, pela primeira vez, o sentido do oráculo. Ouvira falar do prodigioso saber dos sacerdotes egípcios e dos seus mistérios formidáveis. Compreendera no entanto, que lhe faltava essa “ciência de Deus” para penetrar até o fundo da natureza, e que só nos templos do Egito a encontraria.

Desde então criou-se em seu espírito a resolução de se mudar para o Egito, e de ali se fazer iniciar.

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Em Pensadores V, narraremos sobre a jornada de Pitágoras a partir de sua chegada ao Egito em busca da compreeensão do TODO.

domingo, 29 de março de 2009

Prece de Gratidão a Deus



“Senhor, obrigado pela vida, por existirmos e podermos
compreender que todos nós devemos estender as mãos
uns aos outros,sem preconceito de raça, nacionalidade,
cor ou religião, para vivermos a pura fraternidade!

Nossa gratidão por tudo quanto temos recebido da
Sua Infinita Bondade, e que haveremos de receber
eternamente pelos séculos afora, mas que tenhamos
sempre a humildade para aceitar a Sua vontade
soberana acima da nossa!

Queremos agradecer, Pai Celeste, o céu que acende
estrelas até o amanhecer, o sol que nos aquece, o canto
alegre dos pássaros, o verde que veste as matas, os mares,
os rios e cachoeiras, enfim, tudo quanto a natureza nos dá,
em nome da Sua Infinita Perfeição!

Senhor da vida! Conceda-nos sempre a iluminação para
que as nossas almas entendam cada vez mais as lições
imortais de Jesus, nosso guia e modelo oferecido pela
Sua generosidade!

Suprema Inteligência do Universo! Derrama sobre todas
as criaturas humanas suas bênçãos de bondade e amor,
para que, unidas pelo sentimento de fraternidade, venham
a construir um mundo onde a paz reine para todo o sempre!

Nosso Pai que estás nos céus! Pai de todas as criaturas,
de todas as nacionalidades, dos ateus, dos seguidores de
todas as religiões, dos ricos e dos pobres, enfim, das pessoas
de todas as condições sociais; ao raiar de mais um dia, dá-nos
o júbilo da esperança, a benção do trabalho e a confiança no futuro!

Assim seja, Senhor! Porque cremos na Sua Infinita Misericórdia,
que sustenta a todos nós, Seus filhos, em todos os recantos da
Terra e de todo o Universo!”

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(Prece, assinada por Gerson Simões Monteiro, em 28/12/2003)

domingo, 22 de março de 2009

Os Sete Principios Herméticos

" Os principios da Verdade são sete; aquele que os conhece perfeitamente, possui a Chave Mágica com a qual todas as Portas do Templo podem ser abertas completamente."
I- O princípio do Mentalismo
"O TODO é MENTE; o Universo é mental."
II- O princípio da Correspondência
"O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima."
III- O princípio da Vibração
"Nada está parado, tudo se move; tudo vibra."
IV- O Princípio da Polaridade
"Tudo é Duplo; tudo tem pólos; tudo tem o seu oposto; o igual e o desigual são a mesma coisa; os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau; os extremos se tocam; todas as verdades são meias verdades; todos os paradoxos podem ser reconciliados."
V- O princípio de Ritmo
"Tudo tem fluxo e refluxo; tudo tem suas marés; tudo sobe e desce; tudo se manifesta por oscilações compensadas; a medida do movimento à direita é a medida do movimento à esquerda; o ritmo é a compensação."
VI- O Princípio de Causa e Efeito
"Toda Causa tem o seu Efeito, todo Efeito tem a sua Causa; tudo acontece de acordo com a Lei; o Acaso é simplesmente um nome dado a uma Lei não reconhecida; há muitos planos de causalidade, porém nada escapa à Lei."
VII- O princípio do Gênero
" O Gênero está em tudo; tudo tem o seu princípio masculino e o seu princípio feminino; o gênero se manifesta em todos os planos."
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Fonte: O CAIBALION- Estudo da Filosofia Hermética do Antigo Egito e da Grécia.

sábado, 14 de março de 2009

Oração pela Paz do Mundo


“ Senhor! Sabemos da nossa impotência diante do ódio e da
vingança que armam bombas em mãos criminosas.

Mas nós cremos na Vossa justiça soberana que impera em
todo ouniverso, mantendo o direito e a dignidade de viver a
todos os Vossos filhos, e a todos os seres da criação.

Senhor! Compreendemos a nossa fragilidade diante de tanta
violência, que faz derramar o sangue de crianças e mulheres
indefesas, espalhando a morte e o terror.

Mas nós cremos na extensão de Vossa infinita misericórdia,
ao determinar que a vida continue fecundando úteros, povoando
a Terra com o sorriso inocente das crianças.

Senhor! Assistimos, estarrecidos, à total negação da mensagem
de amor vivida pelo Meigo Rabi da Galiléia, vendo a crueldade
afiando baionetas assassinas, bombas arrasando os campos
floridos e calando as aves dos céus.

Mas nós cremos na Vossa eterna bondade, que ordena ao sol e à
chuva fertilizarem o solo arrasado e destruído; ao verde colorir os
campos abençoados; às flores enfeitarem os jardins; e aos
pássaros de novo cantarem pelo infinito dos céus.

Essa oração é o grito de nossa alma, na certeza de que nos ouvis
neste momento, porque sabemos que criastes o homem para ser
feliz, para amar, para abraçar seus irmãos, para viver em paz!

Porque cremos, Senhor, que é Vossa a determinação de a paz
reinar soberana um dia neste mundo, queiram os homens ou não,
e porque cremos que é da Vossa vontade os canhões se calarem
para sempre,é que rogamos à Vossa generosidade que inspire
os homens a serem verdadeiros irmãos sob o estandarte do
perdão e da legítima fraternidade!

Assim seja, porque a Vós pertencem a vida e o poder para sempre!
(Prece recebida por Gerson Simões Monteiro pela inspiração no dia 11/09/2001,
diante da destruição das Torres Gêmeas nos EUA, )

segunda-feira, 9 de março de 2009

Personagens Bíblicos IV- Jesus (oração na casa de Pedro)

ORAÇÃO PROFERIDA POR JESUS NA CASA DE SIMÃO PEDRO EM FAVOR
DOS DELINQÜENTES QUE ESCAPAM AOS TRIBUNAIS DA TERRA
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-“ Pai, acende a Tua Divina Luz em torno de todos aqueles que Te
olvidaram a bênção, nas sombras da caminhada terrestre.

Ampara os que se esqueceram de repartir o pão que lhes sobra
na mesa farta.

Ajuda aos que não se envergonham de ostentar felicidade, ao lado
da miséria e do infortúnio.

Socorre os que se não lembram de agradecer aos benfeitores.

Compadece-te daqueles que dormiram nos pesadelos do vício,
transmitindo herança dolorosa aos que iniciam a jornada humana.

Levanta os que olvidaram a obrigação de serviço ao próximo.

Apiada-te do sábio que ocultou a inteligência entre as quatro
paredes do paraíso doméstico.

Desperta os que sonham com o domínio do mundo, desconhecendo
que a existência na carne é simples minuto entre o berço e o túmulo,
à frente da Eternidade.

Ergue os que caíram vencidos pelo excesso de conforto material.

Corrige os que espalham a tristeza e o pessimismo entre os
semelhantes.

Perdoa aos que recusaram a oportunidade de pacificação e marcham
disseminando a revolta e a indisciplina.

Intervém a favor de todos os que se acreditam detentores de
fantasioso poder e supõem loucamente absorver-te o juízo,
condenando os próprios irmãos.

Acorda as almas distraídas que envenenam o caminho dos outros
com a agressão espiritual dos gestos intempestivos.

Estende paternas mãos a todos os que olvidaram a sentença de
morte renovadora da vida que a tua lei lhes gravou no
corpo precário.

Esclarece os que se perderam nas trevas do ódio e da vingança,
da ambição transviada e da impiedade fria, que se acreditam
poderosos e livres, quando não passam de escravos, dignos de
compaixão, diante de teus sublimes desígnios.

Eles todos, Pai, são delinqüentes que escapam aos tribunais
da Terra, mas estão assinalados por Tua Justiça Soberana e
Perfeita, por delitos de esquecimento, perante o Infinito Bem.
(Fonte: Radio Rio de Janeiro AM)

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Pedro pedreiro (Chico Buarque)

Como fã de Chico, que considero um poeta, estou postando a letra de Pedro pedreiro que considero um poema.
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(Chico Buarque, 1965)

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã, parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem
De quem não tem vintém
Pedro pedreiro fica assim pensando
Assim pensando o tempo passa
E a gente vai ficanto pra trás
Esperando, esperando, esperando
Esperando o sol
Esperando o trem
Esperando o aumento
Desde o ano passado
Para o mês que vem
Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã, parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem
De quem não tem vintém
Pedro pedreiro espera o carnaval
E a sorte grande do bilhete pela federal
Todo mêsEsperando, esperando, esperando
Esperando o sol
Esperando o trem
Esperando o aumento
Para o mês que vem
Esperando a festa
Esperando a sorte
E a mulher de Pedro
Está esperando um filho
Pra esperar também
Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã, parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem
De quem não tem vintém
Pedro pedreiro esta esperando a morte
Ou esperando o dia de voltar pro norte
Pedro não sabe mas talvez no fundo
Espera alguma coisa coisa mais linda que o mundo
Maior do que o mar
Mas pra que sonhar
Se dá o desespero de esperar demais
Pedro pedreiro quer voltar atrás
Quer ser pedreiro pobre e nada mais
Sem ficar esperando, esperando, esperando
Esperando o sol
Esperando o trem
Esperando o aumento para o mês que vem
Esperando um filho pra esperar também,
Esperando a festa
Esperando a sorte
Esperando a morte
Esperando o norte
Esperando o dia de esperar ninguém
Esperando enfim nada mais além
Da esperança aflita, bendita, infinita
Do apito do trem
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando o trem
Que já vem, que já vem, que já vem (etc.)

A Crise, segundo Einstein

Uma contribuição de meu estimado Mano Edson, que vai de encontro ao foco atual da mídia mundial.
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“Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo.
A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos.
A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura.
É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar “superado”.
Quem atribue à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que as soluções.
A verdadeira crise, é a crise da incompetência.
O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis.
Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito.
É na crise que se aflora o melhor de cada um.
Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo.
Em vez disso, trabalhemos duro.
Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la”
(Albert Einstein)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Duas histórias, Dois destinos

O texto abaixo é uma contribuição do colega Armando Ferreira, e ao lê-lo entrevi o que pode ser mais uma “Ponta da Verdade”
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1ª História.
Certa vez um garoto entrou na sala de emergência de um hospital depois de ter sido atropelado. O motorista que o socorreu, ao ser interpelado para efetuar o depósito necessário ao atendimento, informou que não possuía, naquele momento, dinheiro ou cheque que pudesse oferecer em garantia, mas certamente, se o hospital aceitasse, poderia efetuar o depósito na primeira oportunidade. O atendente, na impossibilidade de liberar o atendimento, mas, com a vantagem de ter um dos diretores do hospital, que também era médico, de plantão naquele momento, resolveu consultá-lo.Todavia, por não ter dinheiro nem garantias para o tratamento, não liberou o atendimento, fato que levou a criança atropelada a falecer. O diretor, novamente chamado para assinar o atestado de óbito do garoto, ao chegar para o exame cadavérico, descobre que o garoto atropelado era seu filho, que poderia ter sido salvo, se tivesse recebido atendimento.
2ª História.
Antônio, um pai de família, um certo dia, quando voltava do trabalho, dirigindo num trânsito bastante pesado, deparou-se com um senhor que dirigia apressadamente. Vinha cortando todo o mundo e, quando se aproximou do carro de Antônio, deu-lhe uma tremenda fechada, já que precisava atravessar para a outra pista. Naquela hora, a vontade de Antônio foi de xingá-lo e impedir sua passagem, mas logo pensou:- Coitado! Se ele está tão nervoso e apressado assim... Vai ver que está com um problema sério e precisando chegar logo ao seu destino, pensando assim, foi diminuindo a marcha e deixou-o passar. Chegando em casa, Antônio recebeu a notícia de que seu filho de três anos havia sofrido um grave acidente e fora levado ao hospital pela sua esposa. Imediatamente seguiu para lá e, quando chegou, sua esposa veio ao seu encontro e o tranqüilizou dizendo:- Graças a Deus está tudo bem, pois o médico chegou a tempo para socorrer nosso filho. Ele já está fora de perigo. Antônio, aliviado, pediu que sua esposa o levasse até o médico para agradecer-lhe. Qual não foi sua surpresa quando percebeu que o médico era aquele Senhor apressado para o qual ele havia dado passagem!
A Mensagem
- Esteja sempre alerta para ajudar o próximo, independentemente de sua aparência ou condição financeira;
- Procure ver as pessoas além das aparências;
- Imagine que por trás de uma atitude, existe uma história, um motivo que leva a pessoa a agir de determinada forma.
O Ensinamento
Fazer o Bem, sem Olhar a Quem
"Que Deus me dê a serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar as que posso e sabedoria para distinguir entre elas..." ·.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Personagens Bíblicos III- Zaqueu

Zaqueu foi um cobrador de impostos muito rico, vivia na região de Jericó. Sua história é narrada em Lucas 19.1-10. Era de baixa estatura; quando soube que Jesus passaria pela cidade, correu e subiu em um sicômoro, a fim de enxergar por cima da multidão.
Jesus o viu e, chamando-o pelo nome, disse:
“Desce depressa. Hoje me convém pousar em tua casa.”
Tal atitude enfureceu a multidão, que considerava o publicano um “pecador”, por causa de seu emprego e da maneira como tirava dinheiro de seu próprio povo. Muitos publicanos enriqueciam por meios fraudulentos, pois cobravam impostos com valores superiores aos estipulados pelos romanos.
Para Zaqueu, este encontro com Jesus trouxe nova vida, pois quando reconheceu Cristo como Senhor, demonstrou arrependimento e disse:
“Senhor, olha, eu dou aos pobres metade dos meus bens, e se nalguma coisa defraudei alguém, o restituo quadruplicado.”
Então Jesus lhe disse:
“Hoje veio a salvação a esta casa, pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.”
Zaqueu aceitou o Mestre em sua casa e com esta aceitação, houve a transformação que acontece mesmo com os considerados como os piores “pecadores”

Pensadores III- Èliphas Levi



Èliphas Levi, baseando-se na “formula de Voltaire” , escreveu vinte e dois axiomas que podem levar alguns de nós à reflexões sobre a TEORIA DA VONTADE.
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Axioma I
Nada resiste à vontade do homem, quando sabe a verdade e quer o bem.

Axioma II
Querer o mal é querer a morte. Uma vontade perversa é um começo do suicídio.

Axioma III
Querer o bem com violência é querer o mal; porque a violência produz a desordem e a desordem produz o mal.

Axioma IV
Pode-se e deve-se aceitar o mal como meio do bem; porém nunca se deve quere-lo ou faze-lo, aliás, se destruiria com uma das mãos o que se edifica com a outra. A boa fé nunca justifica os maus meios; ela os corrige quando a pessoa é vítima deles, e os condena, quando a pessoa os emprega.

Axioma V
Para ter o direito de possuir sempre, é preciso querer pacientemente e por muito tempo.

Axioma VI
Passar a vida a querer o que é impossível possuir sempre, é abdicar a vida e aceitar a eternidade da morte.

Axioma VII
Quanto mais a vontade vence obstáculos, mais ela é forte. É por isso que Cristo glorificou a pobreza e a dor.

Axioma VIII
Quando a vontade é voltada ao absurdo, ela é reprovada pela eterna razão.

Axioma IX
A vontade do homem justo é a vontade do próprio Deus e a lei da natureza.

Axioma X
É pela vontade que a inteligência vê. Se a vontade é sã a vida é justa. Deus disse: Faça-se a luz! E a luz existe; a vontade diz: Que o mundo seja como quero vê-lo! E a inteligência o vê como a vontade o quis. É o que significa a palavra assim seja, que confirma os atos da fé.

Axioma XI
Quando a pessoa produz fantasmas, dá existência a vampiros, e será necessário alimentar estes filhos de um pesadelo voluntário com seu sangue, sua vida, sua inteligência e sua razão, sem os saciar nunca.

Axioma XII
Afirmar e querer o que deve ser é criar; afirmar o que não deve ser é destruir.

Axioma XIII
A luz é um fogo elétrico posto pela natureza ao serviço da vontade: ela alumia os que sabem emprega-la e queima os que abusam.

Axioma XIV
O império do mundo é o império da luz.

Axioma XV
As grandes inteligências cujas vontades se equilibram mal se assemelham aos cometas, que são sóis abortados.

Axioma XVI
Nada fazer é tão funesto como fazer o mal, porém é mais covarde. O mais imperdoável dos pecados mortais é a inércia.

Axioma XVII
Sofrer é trabalhar. Uma grande dor sofrida é um progresso realizado. Os que sofrem muito vivem mais do que os que não sofrem.

Axioma XVIII
A morte voluntária por devotamento não é um suicídio, é a apoteose da vontade.

Axioma XIX
O medo é apenas uma preguiça da vontade, e é por isso que opinião abate os covardes.

Axioma XX
Chegai a não temer o leão e o leão vos temerá. Dizei à dor: Quero que sejas um prazer e ela se tornará um prazer, mais até que um prazer, uma felicidade.

Axioma XXI
Uma cadeia de ferro é mais fácil romper-se que uma cadeia de flores.

Axioma XXII
Antes de declarar um homem feliz ou infeliz, sabei que emprego fez de sua vontade; Tibério morria todos os dias em Capre, ao passo que Jesus provava sua imortalidade e até sua divindade no Calvário e na cruz.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Pensadores II- Abade Afonso Luiz Constant

O Abade Afonso Luiz Constant, que sob o pseudômino de Èliphas Levi foi um grande ocultista do século passado, nasceu em París, a 08 de fevereiro de 1810, e faleceu na mesma cidade, a 31 de maio de 1875.
Em homenagem a ele que considero um pensador, hoje 08 de fevereiro dia de seu aniversário, estou postanto um trecho de um de seus livros que fala sobre a: TEORIA DA VONTADE
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"A vida humana e suas inúmeras dificuldades tem por fim, na ordem da sabedoria eterna, a educação da vontade do homem.
A dignidade do homem consiste em fazer o que quer e em querer o bem, de conformidade com a ciência da verdade.

O bem conforme a verdade é o justo.
A justiça é a prática da razão.
A razão é o verbo da realidade.
A realidade é a ciência da verdade
A verdade é a idéia idêntica ao ente.

O homem chega à idéia absoluta do ente por dois caminhos: a experiência e a hipótese.
A hipótese é provável quando é necessitada pelos ensinos da experiência; é improvável ou absurda quando é rejeitada por este ensino.

A experiência é a ciência, e a hipótese é a fé.

A verdadeira ciência admite necessariamente a fé; a verdadeira fé conta necessariamente com a ciência.

Pascal blasfemava contra a ciência quando disse que, pela razão, o homem não pode chegar ao conhecimento de nenhuma verdade.
Por isso Pascal morreu louco.

Porém Voltaire não blasfemava menos contra a ciência quando declarava absurda toda hipótese de fé, e só admitia como regra da razão o testemunho dos sentidos.
Por isso, a última palavra de Voltaire foi esta formula contraditória:

DEUS E A LIBERDADE
Deus, isto é, um senhor supremo: o que exclui toda idéia de liberdade, como a entendia a escola de Voltaire.
E a liberdade, isto é, uma independência absoluta de todo senhor; o que exclui toda idéia de Deus.
A palavra DEUS exprime a personificação suprema da lei, e por conseguinte, do dever; e se, pela palavra LIBERDADE, se quiser entender conosco o DIREITO DE FAZER SEU DEVER, tomaremos, por nossa vez, como divisa e repetiremos sem contradição e sem erro:

DEUS E A LIBERDADE
Como não há liberdade para o homem senão na ordem que resulta da verdade e do bem, pode-se dizer que a conquista da liberdade é o grande trabalho da alma humana. O homem libertando-se das más paixões e de sua escravidão, por assim dizer, se cria a si mesmo uma segunda vez. A natureza o tinha feito vivo e sofredor, ele se faz feliz e imortal; torna-se assim o representante de Deus na terra e exerce relativamente sua onipotência."

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As formulas acima aguçam diversos axiomas que serão expostos em PENSADORES III .

domingo, 25 de janeiro de 2009

Personagens Bíblicos II – Ester

Ester é contada no menor livro da Bíblia e fala sobre uma mulher, que mesmo diante da possibilidade de perecer foi fiel ao seu povo.
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Ester, também conhecida como Hadassa, era uma jovem judia da tribo de Benjamin e devido à morte de seus pais foi criada por um primo chamado Mordecai.
Habitavam na fortaleza de Susã, sob o reinado de Assuero (Xerxes).
A rainha Vasti, esposa do rei Assuero, foi banida da casa real pois recusou-se a mostrar sua beleza durante um banquete oferecido pelo rei.
Para substituir Vasti iniciou-se a procura por uma jovem bonita e virgem e Ester foi eleita pelo rei como a mais linda jovem entre todas as que foram apresentadas; escolhida como a nova rainha, não divulgou, contudo, sua origem judaica
Seu primo Mordecai descobriu um complô organizado por Hamã, um alto oficial do rei, para aniquilar o povo judeu. Hamã persuadira o rei Assuero a assinar uma ordem que decretava o massacre dos judeus
.Mordecai contou esta situação a Ester que seria obrigada a tomar uma decisão de arriscar a própria vida se procurasse o rei sem ser convidada ou permaneceria em silêncio e comprometeria a vida de todos os judeus.
Mediante a expressão: “Se eu perecer, pereci”, tomou a decisão de procurar a ajuda do marido contra Hamã.
No final o inimigo dos judeus foi enforcado por ordem do rei e, embora o decreto do rei não pudesse ser revogado, Assuero deu uma permissão especial aos judeus para se defenderem contra o iminente massacre Assim eles o fizeram e foram salvos.
Ester e Mordecai prestaram seus serviços ao rei Assuero e a Deus com fidelidade e honra, e conquistaram o respeito de todos.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Pensadores I - Hermes


Hermes Trimegisto, ou três vezes grande, assim os gregos discípulos dos egípcios se referiam a Hermes, pois que o consideravam como rei, como legislador e como Sacerdote.
Certas palavras de Hermes, prenhes de sabedoria antiga, são excelentes para nos dar uma idéia de seus ensinamentos aos seus discípulos.
Assim dizia Hermes ao seu discípulo Asclépio:

“Nenhum dos nossos pensamentos, saberá conceber Deus, nem nenhuma língua defini-lo. O que é incorpóreo, invisível, informe não pode ser apreendido pelos nossos sentidos: o que é eterno não pode ser medido pela curta regra do tempo; Deus é, pois ,inefável. Deus pode, isto é verdade, comunicar a alguns eleitos a faculdade de se elevarem acima das coisas naturais, para perceberem algum raio da sua perfeição suprema; - mas esses iniciados não encontram em linguagem vulgar palavras que possam exprimir a visão imaterial que os fez estremecer. Poderão explicar à humanidade as causas secundárias das criações que passam sob seus olhos, como imagens da vida universal; mas a causa primária conservar-se-á sempre vendada, e nós não chegaremos a compreendê-la, senão ultrapassando a morte.”

A morte de Hermes é contada como a da partida de um Deus:

“Hermes viu o conjunto das coisas; e, tendo visto, compreendeu e, tendo compreendido, teve o poder de revelar e manifestar. O que ele pensou, ele o escreveu; o que ele escreveu, ele o ocultou em grande parte, calando com sabedoria e falando só quando devia, a fim de que todas as gerações futuras procurassem o que o seu pensamento descobrira. E assim, tendo ordenado aos deuses seus irmãos que lhe servissem de cortejo-, ele ascendeu às estrelas.”

Para finalizar, um fragmento de pensamento de Hermes:

“Escutai-o em vós mesmos e vede-o no infinito do Espaço e do Tempo. Ali reboa o canto dos Astros, a voz dos Números, a harmonia das Esferas.
É cada sol um pensamento de Deus e cada planeta um modo desse pensamento. É para conhecer o pensamento de Deus, ó almas!, que desceis e subis penosamente o caminho de sete planetas e dos seus sete céus.
Que fazem os Astros? Que dizem os números? Que rolam as Esferas? – Ó almas perdidas ou salvas, eles dizem, eles cantam, elas rolam, - os vossos destinos!”

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Personagens Bíblicos I – Jefté e Sansão

Ambos se tornaram “Juizes” e são considerados heróis em sua época, sendo Jefté quase não comentado nos tempos atuais e o Sansão a que nos referimos é aquele mesmo da “Dalila” que lhe cortou a “cabeleira da força”.
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JEFTÉ
(Juizes 11 e 12)
A vida de Jefté foi marcada de acontecimentos estranhos. Em muitos aspectos, foi uma vida triste. Ele teve o infortúnio de ser filho de uma prostituta e, por causa disso, sofreu com o sarcasmo e as zombarias por parte dos irmãos. Quando seu pai morreu foi expulso de casa, sendo forçado a viver como bastardo.
Mas havia características muito boas nele. Em um tempo de crise nacional, quando o mesmo povo que o expulsou o procurou, buscando ajuda, Jefté se mostrou disposto a perdoar aqueles que o trataram com crueldade. Sua tentativa de fazer paz com os amonitas mostrou tanto sua humanidade como conhecimento das Escrituras.
A questão de seu estranho voto a Deus, no qual prometeu sacrificar o primeiro que saísse ao seu encontro, quando retornasse para casa vitorioso da guerra contra os amonitas, tem suscitado muita controvérsia, pois a primeira pessoa que ele avistou foi sua própria filha única. Este assunto requer um estudo cuidadoso, pois cremos que não houve o sacrifício de morte, mas sim que a filha se dedicou ao recolhimento total fazendo voto de castidade e adoração a Deus.


SANSÃO
(Juizes 13, 14, 15 e 16)

Sansão é reconhecidamente um dos personagens mais enigmáticos da Bíblia. Era um homem de grande fé, ainda que constantemente quebrasse sua santificação como narizeu, a fim de satisfazer seus apetites carnais.
Sansão possuía qualidades que servem como exemplo para todas as gerações. Embora estivesse capacitado com uma força sobre-humana, mesmo assim era necessário ter um altíssimo grau de coragem para realizar o que ele fez.
Sansão tinha um pronunciado senso de humor, embora, as vezes, fosse um tanto macabro. Também possuía seu próprio código de honra. Ele disse: Assim como me fizeram a mim, eu lhes fiz a eles (Juizes 15.11). Entretanto temos que lembrar que ele era o homem designado por Deus para livrar Israel do jugo dos filisteus.
O pecado constante de Sansão era sempre buscar entretenimento no território inimigo. Sansão saía a procura de tentações (pular a cerca). “Brincou com fogo” na casa de Dalila e acabou se queimando. No final, teve sucesso em destruir a opressão dos filisteus, uma proeza que culminou em sua morte.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Ser Feliz

Este texto de Fernando Pessoa é uma contribuição de Helena Quintanilha a matriarca da Família.
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“Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recanto de sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser Feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...”

(Fernando Pessoa)

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O Povo

Irmão Marcenal, Obrigado por contribuir com tal preciosidade que passarei a chamar de: Mais Uma "Ponta" da Verdade ?
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Há no mundo uma raça de homens com instintos sagrados e luminosos, com divinas bondades do coração, com uma inteligência serena e lúcida, com dedicações profundas, cheias de amor pelo trabalho e de adoração pelo bem, que sofrem, e se lamentam em vão.

Estes homens são o Povo.

Estes homens, sob o peso do calor e do sol, transidos pelas chuvas, e pelo frio, descalços, mal nutridos, lavram a terra, revolvem-na, gastam a sua vida, a sua forca, para criar a pão, o alimento de todos.

Estes são o Povo, e são os que nos alimentam.

Estes homens vivem nas fábricas, pálidos, doentes, sem família, sem doces noites, sem um olhar amigo que os console, sem ter o repouso do corpo e a expansão da alma, e fabricam 0 linho, o pano, a seda, os estofos.

Estes bomens são o Povo, e são os que nos vestem.

Estes homens vivem debaixo das minas, sem o sol e as doçuras consoladoras da Natureza, respirando mal, comendo pouco, sempre na véspera da morte, rotos, sujos, curvados, e extraem o metal, o minério, o cobre, o ferro, e toda a matéria das indústrias.

Estes homens são o Povo, e são as que nos enriquecem.

Estes homens, nos tempos de lutas e de crises, tomam as velhas armas da Pátria e vão, dormindo mal, com marchas terríveis, a neve, a chuva, ao frio, nos calores pesados, combater e morrer longe dos filhos e das mães, sem ventura, esquecidos, para que nós conservemos o nosso descanso opulento.

Estes homens são o Povo, e são os que nos defendem.

Estes homens formam as equipagens dos navios, são lenhadores, guardadores de gado, servos mal retribuídos e desprezados.

Estes homens, são os que nos servem.

E por isso que os que tem coração e alma, e amam a Justiça, devem lutar e combater pelo Povo.
E ainda que não sejam escutados, tem na amizade dele uma consolação suprema.

texto "O Povo" de Eça de Queirós

domingo, 11 de janeiro de 2009

Uma "Ponta" da Verdade ?

A natureza funciona como um sistema de apoio mútuo, entretanto muitas vezes já ouvimos justamente o contrário. Dizem-nos que ela é implacável, insensível e dura, que opera no contexto de sobrevivência dos mais aptos. Na verdade estamos todos interligados num gigantesco sistema de apoio mútuo que permite que a nossa vida funcione da melhor maneira possível. Observe a Terra girando em seu eixo, o Sol oferecendo o seu constante calor, todo o sistema formando os mecanismos necessários à vida. Somos uma unidade, e quanto mais cedo nos livrarmos da idéia de que somos distintos uns dos outros, tanto mais cedo vamos reconhecer que a solução dos problemas humanos está em nos apoiarmos mutuamente de maneira criativa.
Uma das maiores barreiras entre nós e a oportunidade de uma verdadeira conexão com o outro é a nossa recusa em compreender que todos somos iguais. Durante séculos, temos nos dedicado à construção de elaboradas estruturas baseadas nas noções falsas de desigualdade. Desde o estabelecimento, da primeira cidade do mundo (em Jericó), há uns 8.000 anos, tem prevalecido as relações desiguais. Mesmo quando as religiões nos ensinam que “todos os homens são criados iguais e dotados pelo seu Criador de certos direitos inalienáveis”, as relações desiguais proliferam. Elas constituem o principal obstáculo à verdadeira democracia entre os homens, até mesmo quando a experiência revela que todos querem ser tratados com respeito e dignidade e, mais ainda , que sua vida faz diferença.
É interessante especular sobre o tipo de mundo que teríamos caso a Natureza não funcionasse mediante apoio mútuo. Os átomos de carbono ficariam isolados num clube exclusivo, o oxigênio e o hidrogênio não se combinariam para formar a água e as inúmeras alianças estranhas, necessárias à formação de uma célula viva, enfrentariam barreiras de classe. À medida que descobrimos o ethos ecológico, desvelamos a vasta teia invisível de relações que sustentam e aperfeiçoam a evolução da vida. Na Natureza, todas as partes são essenciais.
Talvez tenhamos que desenvolver a habilidade de ir além do próprio interesse pessoal para nos conectarmos com todas as pessoas, vendo-as como parte de nós mesmos. Essa mudança de consciência só pode ocorrer numa pessoa de cada vez, e é alcançada quando estendemos a nossa tolerância e o nosso apoio uns aos outros.Somos componentes de uma vasta orquestra cósmica em que cada instrumento vivo é essencial para a execução harmoniosa por parte do todo. Se pudéssemos integrar essa idéia à nossa vida, criaríamos circunstâncias em que todos ganhariam.

Do Pó Viestes e ao Pó Tornarás

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Os Sofistas


O ideal máximo da lógica é a coerência. A lógica foi sistematizada por Aristóteles, e se constituiu até o começo da idade moderna como matéria prima principal ao lado da teologia e da filosofia.
Aristóteles foi discípulo de Platão, que mantinha uma escola em Atenas denominada Academia. Ali, talvez, Platão o tenha levado a gostar das formas coerentes de pensamento, motivando-o a lógica. Contudo, Aristóteles só veio a elaborar seu sistema quando já estava afastado do mestre. Seus discípulos reuniram todos os seus trabalhos sob o título de Organon (Instrumento), como um meio de chegar à coerência do pensamento. Durante estes trabalhos, Aristóteles deparou-se com todo o acervo de pensamentos anteriores e ele e viu-se, então embaraçado com uma série de contradições, algumas aparentes e outras reais.
Estas contradições tomaram vulto a partir dos sofistas. Diante disso, o filósofo reagiu elaborando o primeiro sistema lógico. Os Sofistas foram pensadores do século V a.C, e iam de cidade em cidade ensinando a troco de dinheiro. Ensinavam como atacar os adversários em juízo e como sair vencedor nas discussões. Nesta tarefa não se preocupavam com qualquer tipo de lógica. A única regra era sair vitorioso. A propósito vejamos uma argumentação em juízo entre Protágoras e seu discípulo Euatlho. Protágoras havia combinado com Euatlho ensinar-lhe oratória mediante certa quantia, que seria paga da seguinte maneira: metade ao terminar a última lição e a outra metade quando discípulo tivesse ganho a primeira causa nos tribunais. Entretanto o pagamento restante ia-se prolongando. Protágoras começou a recear a não mais receber o que lhe era devido. Resolveu, por isto, levar o discípulo às barras do Tribunal.
Sua argumentação resume-se no seguinte:
“De qualquer maneira terá que pagar, pois se perder a causa, a decisão do Tribunal, é claro obrigá-lo-á a me pagar. Se, porém, ele ganhar a causa, terá que me pagar do mesmo modo por força do acordo que tem comigo. Em qualquer dos casos, portanto, Euatlho terá que saldar a dívida”.
O velho sofista grego não contava com o aproveitamento didático do ex-discípulo que, diante do mestre, assim se defendeu:
“Se ganhar este processo, nada terei que pagar, porque é essa a decisão do Juiz. Se perder, nada terei que pagar, por que assim ficou estipulado no meu acordo com Protágoras. Em qualquer caso nada ficarei devendo”.

Em sua opinião, quem está sofismando, Protágoras ou Euatlho?

domingo, 4 de janeiro de 2009

A Filosofia do Mundo (Karl Jaspers)

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Há quem diga que a filosofia é demasiado complexa, não a compreendendo, está além do meu alcance, não tenho vocação para ela e, portanto, não me diz respeito. Ora, isto equivale a dizer: é inútil o interesse pelas questões fundamentais da vida; cabe abster-se de pensar no plano geral para mergulhar, através do trabalho consciencioso, num episódio qualquer de atividade prática; quanto ao resto, bastará ter “opiniões” e contentar-se com elas.
E surgem os detratores. Ela é desprezada como produto final e mendaz de uma teologia falida. A insensatez das proposições dos filósofos é ironizada. E a filosofia vê-se denunciada como instrumento servil de poderes políticos e outros. Muitos políticos vêem facilitado seu trabalho nefasto pela ausência de filosofia. Massas são mais fáceis de manipular quando não pensam, mas tão somente usam de uma inteligência de rebanho. Quanto mais vaidades se ensinam, menos estarão os homens arriscados a se deixar tocar pela luz da filosofia.
Assim, a filosofia se vê rodeada de inimigos, a maioria dos quais não tem consciência dessa condição. A auto-complacência burguesa, os convencionalismos, o hábito de considerar o bem-estar material como razão suficiente de vida, o hábito de só apreciar a ciência em função de sua utilidade técnica, o ilimitado desejo de poder, a bonomia dos políticos, o fanatismo das ideologias, tudo isso proclama anti-filosofia. E os homens não o percebem porque não se dão conta do que estão fazendo. E permanecem inconscientes de que a anti-filosofia é uma filosofia, embora pervertida, que, se aprofundada, engendraria sua própria aniquilação.
O problema crucial é o seguinte: a filosofia aspira à verdade total, que o mundo não quer. A filosofia é, portanto, perturbadora da paz. E a verdade o que será? A filosofia busca a verdade nas múltiplas significações do ser - verdadeiro, segundo os modos do abrangente. Busca, mas não possui o significado e substância da verdade única. Para filósofo, a verdade não é estática e definitiva, mas o movimento incessante, que penetra o infinito.
No mundo, a verdade está em conflito perpétuo. A filosofia leva este conflito ao extremo, porém o despe de violência. Em suas relações com tudo quanto existe, o filósofo vê a verdade revelar-se a seus olhos. Quem se dedica a filosofia coloca-se à procura do homem , escuta o que ele diz, observa o que ele faz e se interessa por sua palavra e ação, desejoso de partilhar, com seus concidadãos, do destino da humanidade. Eis porque a filosofia não se transforma em credo. Está em continua luta consigo mesma.
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Conheça a Verdade e ela Vos libertará.

Liberdades


Quando há referencia à liberdade, é preciso admitir que são vários os enfoques pelos quais podemos compreendê-la. Se ninguém é solitário, pois convive na liberdade dos homens, a liberdade é um desafio que permeia todos os campos da atividade humana. Assim podemos falar em:

A Liberdade Ética quando nos referimos ao sujeito moral, capaz de decidir com autonomia a respeito de como se conduzir em relação a si mesmo e aos outros. Ser autônomo é um desafio que muitas pessoas não conseguem suportar. Os riscos de engano, a intranqüilidade, a angústia da decisão e a responsabilidade que o ato livre acarreta fazem com que a liberdade seja antes um pesado encargo do que privilégio. Por isso há tantos que a ela renunciam para se acomodarem na segurança das verdades dadas.

A Liberdade Econômica não deve ser confundida com a liberdade absoluta nos negócios. Por um lado, porque toda atividade produtiva supõe relações de dependência entre as pessoas, e, por outro, porque convém precaver-se contra as aparências da liberdade. A livre iniciativa, fundada na idéia de que “deve vencer o melhor”, muitas vezes nos faz esquecer o princípio da igualdade: mesmo quando os talentos são diferentes todos começam juntos na linha de partida. O mesmo não ocorre no sistema econômico fortemente marcado por privilégios e disputas desiguais. Por exemplo, o parque industrial de um país subdesenvolvido não pode disputar sem prejuízos com poderosas multinacionais.

A Liberdade Jurídica é uma das conquistas das modernas sociedades democráticas que defendem a igualdade perante a lei. Ninguém pode ser submetido à servidão e à escravidão; qualquer um tem a garantia da liberdade de locomoção pensamento, agremiação e ação, nos limites estabelecidos por lei. A aristocracia supõe a existência de indivíduos “especiais” que teriam privilégios. Foi contra as vantagens da nobreza que no século XVII as idéias contidas na Declaração dos Direitos do Homem fez surgir uma nova ordem jurídica.

A
Liberdade Política se coloca no espaço público, no espaço do cidadão, isto é, do homem quando participante dos destinos da sociedade. Há liberdade política quando o cidadão tem conhecimento do que acontece nas diversas instâncias do poder público. Além disso, é preciso que exista liberdade de opinião, de voto, de associação, enfim do livre exercício da cidadania. Em conclusão, a liberdade “não é alguma coisa que é dada”, mas resulta de um projeto de ação. Há risco de perda da liberdade quando o homem a ela abdica, seja por comodismo, medo ou insegurança.

Finalizando, podemos relembrar a máxima: A semeadura é livre mas a colheita é certa.